Vocês sabem como é se sentir uma estranha no ninho? Ou a última bolacha gelada no pacote? Essa era eu na entrada do Teatro Flores em Buenos Aires semana passada. Era provavelmente a mais velha do lugar. Alguns pais levaram seus filhos, mas nem meus filhos têm idade para que eu precise ainda levá-los a esse tipo de evento.
Titio Mulla-lá depositou metade do meu décimo terceiro salário sem que eu esperasse. Antes que aquela grana toda (até parece...) se perdesse nas despesas domésticas, preferi gastar de uma maneira prazerosa: fui ver dois shows da minha banda favorita lá na Argentina. Com direito a nome na lista, a almoço com Timo Tolkki e Jens Johansson e uma aparição surpresa do meu vocalista favorito: Timo Kotipelto (e ser chamada pelo nome... ai ai...)
O 'set list' foi maravilhoso, principalmente por conter somente as músicas mais antigas e talvez as preferidas de todos os presentes. A molecada, quase toda vestida de preto, se espremia junto à grade. Cada novo acorde era recebido com entusiasmo por todos. É impressionante como a gente sente uma energia incrível fluir dentro do teatro. Não vi nenhuma ameaça de briga sequer. As pessoas se divertiram às vezes até de uma maneira meio violenta, pois pulam o tempo todo. Mas elas não se desentendem em momento algum.
Algumas fotos pra vocês...
Jack & Timo Tolkki (guitarrista)
Jörg Michael (baterista) & Jack
Timo Kotipelto (vocalista) + Jack
The Stratothree crew: Criss, Jack and Uli
Stratovarius em Buenos Aires (12/10)
'Twilight Symphony'
Live 'n' Louder Festival - São Paulo (14/10)
'Paradise'
Por sua conta e risco... cuidado! Altamente viciante...
Nada como um dia após o outro. Costumávamos dizer. Com uma boa noite de sono no meio. Alguns dias o expediente acabava e os telefones pareciam não saber que queríamos um pouco de sossego. Às vezes estávamos a fim só de bater um papinho. E mesmo após o expediente, aquele infernal telefone não parava de tocar.
A telefonista tinha hora pra sair. Aí cabia a nós atender os 'malas' atrasadinhos. Muitas vezes era ligação para os seguranças. Raras vezes era para um dos funcionários. Alguns procedimentos somente eram vistos com o sistema ligado. Cada dia ficávamos mais dependentes do 'on-line'.
Mas clientes não querem e nem nunca quiseram saber disto. Queriam ser atendidos. E pronto! Algumas vezes nos fazíamos passar por outra pessoa. Ao toque do telefone:
- "Banco de Merdon, boa noite!" - o 'boa noite' já era pra constranger mesmo...
- "Boa noite! Eu gostaria de falar com Fulano."
- "Fulano já foi embora..."
- "E Beltrano, está?"
- "Também já saiu!"
- "E você, não poderia me atender?"
- "Desculpe senhor, aqui quem está falando é a faxineira..."
Tu tu tu tu tu tu... (onomatopéia de telefone desligado).