Os sósias
Tivemos um cliente (Deus o tenha!) que dizia que éramos uma agência de artistas. Até concordaria com ele, pois o que a gente tinha que agüentar da população clientelística era coisa pra atores e atrizes dignos de Oscar. Ele (o cliente, não o Oscar) era tio do Hermano Henning agora da TV do titio Silvio Santos. Naquele tempo, global ainda. Tínhamos a época alguns funcionários que eram sósias de celebridades.
Tínhamos um gerente administrativo que era mais conhecido por Cecil Thiré, sim aquele careca filho da Tônia Carrero. Também achava, mas dito por um cliente acabava ficando até engraçado.
Uma atriz muito importante do Brasil fazia expediente em horário bancário: Marieta Severo! O mesmo sorriso, a mesma simpatia contagiante. Impressionava...
Willian Bonner que se cuide, temos ainda em atividade, agora em outra agência, a nossa Fátima Bernardes. Cabelinho curto e bem pretinho, magrinha, como ela era há alguns anos atrás.
Na agência Gonzaga, tínhamos Sophia Loren, a boca e os olhos eram verdadeiros clones. Menos morena, aliás bem branquinha. Só que a clonada acabou de fazer 70 anos, essa era um pouco mais velha que eu.
Se alguém comentar que éramos artistas circenses, vai se ver comigo, viu?
Hoje também tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Você lembra do gibi Luluzinha? Não? Confira! Tem um quiz também para o leitor responder. Dê uma clicadinha aí, vai...
escrito por Jack, em
5:06 AM
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:.:.: Já que veio, diga algo!
Sábado, Setembro 25, 2004
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O dia em que a Jack surtou...
ou... Jack à beira de um ataque de nervos!
Tinha a mais completa sensação de que eu era uma jovem senhora contida. Agora já não posso afirmar mais nada... Desde dia 8 de setembro estou com uma missão pra lá de impossível. Nem o Tom Cruise daria conta. Vamos por partes. Já dizia aquele famoso xará: Jack, o estripador.
Dia 8, meu filho veio para casa. Ele, a gata e a cachorra. Mais três colegas, a fim de participarem de um congresso. Os animais, pra essa velha aposentada tomar conta. Lógico não é não? Há dois anos ele mora em São Paulo. A casa aqui agora se resume a três pessoas e uma gata. Então calculem a bagunça que ficou no hotel cinco estrelas da tia Jack... Foi um sufoco, mas para uma boa causa. Terminando o congresso foram embora, dia 12 depois do almoço (meu filho e as colegas). As meninas ficaram. Desde então, está de férias, em Curitiba (PR) e agora já está em Pomerode (SC). Levando currículo pra ver se arruma emprego. Vida de vet também não é bolinho, viu?
Bibi é uma sem-noção sem medida. Uma cocker. Quem conhece a raça sabe o tamanho do furacão Ivan a que estou me referindo. A gata, pra vocês terem uma idéia, conseguiu se depilar na virilha. De tanto stress que sofre por causa da cã, que não dá realmente sossego. Até que enfim minha Bandana resolveu se afirmar como dona da casa. Poderosa e soberana. Pra dizer que elas aqui são visitas. E já colocou cada qual no seu lugar. Essa felina é meu orgulho!
A ração das gatas tem que ficar longe do alcance de Bibi (Biscate). Senão ela devora e sabem o que acontece com o seu organismo né? Pois é. Vigilância quase 24 horas por dia. Quando um sai, o outro tem que ficar. Será que foi pra isso que me aposentei?
Volta Jackinho!!!
escrito por Jack, em
2:29 AM
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Quarta-feira, Setembro 22, 2004
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Diamantes
Dizem que são eternos. Não sei. Explico: hoje é o dia dos amantes. Segundo uma floricultura aqui pertinho de casa, no meu caminho pra hidroginástica. Foi nisso que me inspirei para contar sobre romeus e julietas numa agência bancária.
Tínhamos de tudo um pouco:
- O casado com a casada.
- O casado com a solteira, filhos com ambas. Meninas com a esposa, meninos com a amante.
- Uma funcionária que trocou de amante, assim que a agência trocou de gerente. Deu pra entender? Acho que sim...
- Ele um senhor casado. Discreto. Chefe graúdo. Setor importante. Foi visto entrando num motel com uma colega também casada, na época.
- Um gerente que vivia fugindo de uma viúva de um colega. A secretária de seu gabinete estava incumbida de localizar o seu motorista (vejam que bons tempos aqueles, até motorista eles tinham...), onde diabos ele estivesse. Ele, casado, não queria nada com a meiga senhora, que insistia em atacá-lo. Reza a lenda, que era muito bonita e cheia da grana. Mas ele fugia dela como o capeta da cruz.
O mais engraçado é que fico imaginando por que o casal achava que enganava a todos. A fofoca corria solta, todos sabiam de todos e de tudo. Comentávamos, lógico que com discrição, mas comentávamos. Faz parte. O imaginário bancário precisava desse toque.
Hoje também tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Você lembra da música Je t'aime... moi non plus? Censurada... Não? Confira! Vá até lá e dê seu palpite também...
escrito por Jack, em
6:53 AM
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Sexta-feira, Setembro 17, 2004
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O trombone
Quando fui tirada do front (linha de frente dos caixas), fui processar envelope no setor interno da agência. Com certeza eu deveria ser mais útil lá. Porque a praga que me trocou de posto fazia tudo pelo banco (dizem as más línguas). Funcionário que se lascasse. Mesmo porque a gente o odiava de paixão!
Detalhe: naquele setor trabalhava uma colega que falava muito alto. Extremamente. Sabem aquela pessoa que parece que está sempre brigando? Isso, exato! Era como eu me sentia trabalhando perto dela. Como se alguém sempre estivesse quebrando o maior pau... Passava o expediente pensando que as paredes iam ruir, o chão ia se abrir, a caixa d'água ia furar, enfim, que o setor a qualquer minuto poderia implodir... Tal o poder do trombone acoplado a sua voz. Nada contra, como pessoa e funcionária, excelente! Mas o furor estrondoso daquela voz... Valha-me Nossa Senhora Protetora dos Caixas Aflitos... Cristais? Que não passassem nem perto, seriam devidamente trincados.
Realmente não agüentava o ruído absurdo daquele trovão. Como não atendia público, passei a levar um walkman para tentar disfarçar a tempestade. Eu colocava o headphone na orelha e enfiava a cabeça no serviço. Esse nunca me faltou. Nem trovoada tampouco...
escrito por Jack, em
5:33 PM
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Quarta-feira, Setembro 15, 2004
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Ocaso
Outro dia falei em menor aprendiz ou menor estagiário. Lembrei de uma estória interessante. Na verdade, uma estória de amor. De um amor que já acabou, mas que deu frutos. Uma linda frutinha loira...
Ela trabalhava comigo. Ele também. Mesmo setor. Ela colega, ele menor aprendiz. Aprendeu tudo aquele garoto. Ele sempre aprendeu mais do que deveria... Muito além do que precisava. Até chave secreta que acompanhavam as mensagens de telex daquela época ele sabia confeccionar. Até corrigia caso alguém fizesse errado! Se ele estivesse acompanhando, ele corrigia com certeza. E sempre certo, para surpresa de alguns. Aprendeu sem que ninguém ensinasse. Somente de observar os outros. Esperto...
Tinham uma grande diferença de idade. O que não impediu a paixão que surgiu entre eles. E tiveram uma filha. Não se casaram, a princípio. Ele ainda tinha que estudar. Mais tarde sim. Mas não durou muito, me parece. Mas tudo tem um fim, certo? Crepúsculos e ocasos da vida...
Hoje também tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Você lembra das fotonovelas? Não? Confira!
escrito por Jack, em
9:10 AM
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Domingo, Setembro 12, 2004
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Miolo meio mole
O mundo era realmente muito diferente antigamente. Numa época quase pós-repressão, vimos um engraçado fato acontecer com uma colega de setor. Devia ser o ano de 1978. Devia não, era! O mais velho dela é de outubro. Cecil grávida quase de finalzinho já. Calor senegalês por essas bandas. Chegávamos para trabalhar às 13 horas. Lá vinha ela com sua barriga quase extra-corpórea. É pequenininha. Era realmente descomunal para seu tamanho. Acredito que um metro e meio. Imaginem.
E já vinha com seu picolé para o início do expediente. Só que o chefe adorava implicar com a gente. E naquele dia em especial resolveu pegar no pé dela. Ele comentou qualquer assunto ao qual ela discordava. E retrucou. Ele, não querendo admitir o palpite da funcionária, mulher, e grávida ainda por cima, disse:
- "Você anda tomando muito sorvete. Acho que está ficando com o miolo mole..."
Ela, doida para retrucar, se conteve. O que não era o seu normal. O chefe, era um senhor de uma certa idade. Ela pensou que se retrucasse seria falta de educação. Essa não costuma ser sua atitude. Trabalhamos juntas, mas já a conhecia desde os tempos do colégio. Sabia ser uma pessoa justa e defensora de suas idéias. Mas resolveu calar-se para não cometer um desacato. Só que, de repente, ela começou a escorregar da cadeira. Ela começou a sentir um mal estar, provavelmente por não ter podido se expressar. Ou não ter podido responder o miolo mole à altura.
Aí ele ficou realmente assustado. Acho que nunca mais faria isso com funcionárias.
escrito por Jack, em
12:16 AM
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Quarta-feira, Setembro 08, 2004
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O vício
Esse causo confesso, não aconteceu comigo. Foi contado por uma amiga, agora colega da empresa aposentada também. Existia no banco uma condição de trabalho que se chamava adição. Os gerentes convocavam funcionários de agências tidas como superlotadas para trabalharem em locais deficitários. Cada agência na verdade tinha seu quadro de pessoas que se dispunha a se aventurar. Via de regra, os solteiros. Normalmente eram agências pequenas e localizadas em cidades bastante distantes. Bem fora da rota da dita civilização. Eixo Rio / São Paulo, essas coisas...
Os nomes das cidades que ela morou por conta dessas adições são quase totalmente desconhecidas. Aliás, diga-se de passagem, agora mesmo só estou conseguindo me lembrar de Ijuí (RS). Esse fato ocorreu com seu João, figura bastante conhecida em algum lugar distante desse imenso país. Nesse local, todos os moradores eram tidos como muito honestos. Difícil hoje em dia não? Mas quase ninguém tinha formação oficial. Poderia dizer alfabetizados, mas acho que vocês já me entenderam. Para se ter uma idéia, compareciam ao banco munidos de sua própria assinatura num papelzinho. Diria assim: para copiar ou colar a própria assinatura na hora que o caixa precisasse dela.
Pois bem. Nesse dia seu João ficou muito, mas muito tempo na fila. Quando, pedido a ele que assinasse o papel de saque, olhou pra minha amiga com cara de perdido no espaço. Totalmente confuso e com cara de interrogação. Minha amiga percebendo a situação, perguntou:
- "Seu João, cadê seu papelzinho?"
Sempre com aquele seu ar calmo e bem conhecido pelos funcionários da casa, seu João retrucou:
- "Ihhhh minha filha, fiquei tanto tempo nessa fila... pitei !!!"
Hoje também tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Você soube que os dinos saíram no Estadão? Não? Confira!
escrito por Jack, em
5:53 AM
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Sexta-feira, Setembro 03, 2004
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Bingo!
Não me lembro de ter ido a um bingo antes desse episódio. Não pelo menos num bingo digamos quase profissional. Talvez se já tivesse ido, nunca mais teria voltado. Logo que me aposentei, fui convidada para um bingo beneficente. Enfim iria, era caridade. Faz parte ajudar um pouquinho, certo?
Primeiro acho que não tinha nem um mês que eu estava à toa. Completamente perdida, já cheguei atrasada. Todo mundo me olhou meio que de soslaio. Sabe? Aquele olhar 43, aquele assim meio de lado, já indo embora, a louca é você, princesa? Então. Quando entrei no salão pensei que tinha entrado no lugar errado. Só via cabecinhas grisalhas abaixadas olhando pra cima da mesa. Gente: até carimbo elas têem. Exatamente, para marcar os números já saídos. No banco a gente usava isso pra outras coisas. Caneta? Feijão? Coisa de criança. Do passado. Todas completamente viciadas. Pensei comigo mesma: "Ai meu Jesus Cristinho, o que vim fazer eu aqui? Não estava bom pagar e ficar em casa?"
Custei para achar alguém conhecido. Duas amigas me viram e me chamaram para junto delas. Conhecia 3 ou 4 de uma mesa de 10. Até aí tudo bem. Como peguei o bonde andando, já tinha perdido a primeira rodada... Cheguei brincando e falando. Como sempre faço. Quase todas me censuraram com um simples e rápido olhar. Senti o psiu!!!!!! em suas passadas d'olhos na minha pessoa. Se olhar não faz psiu, naquela tarde fizeram. Juro! Ai meus sais...
Já havia perdido algumas rodadas, algumas prendas. Uma fazia parte do convite, mas elas venderam outra cartela. Essa nem comprei, pois já havia perdido algumas rodadas. Isso só porque me atrasei 30 minutinhos, não mais que isso. Aprendi alguns vocábulos novos naquela tarde: barriga, cruz, xis, cabeça, cartela cheia, etc. A única que bati, bateu outra senhora comigo. Lógico não é mesmo? Pergunta quem ganhou o desempate? Eu não, claro!
Pra quem vai aproveitar: bom feriado! Aqui em Santos ainda é feriado também no dia 8... coisa chata, não? Tá aí uma coisa que nem me lembro mais que existe... Invejem! hehe...
escrito por Jack, em
10:52 AM
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Quarta-feira, Setembro 01, 2004
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Histerectomia
Após muita hemorragia que por vezes parecia que havia sido cometido um assassinato em casa, meu médico resolveu me operar. Não havia mais razão para tanto sofrimento após tantos anos me esvaindo e não querendo mais filhos. Bem que ele tentou não fazer isso. Mas eu tinha um mioma. Que era até pequeno, mas em lugar errado pra mim. Talvez certo para ele (o mioma). Pois mais parecia um vampiro se alimentando das minhas reservas.
Depois de alguma medicação, muitos exames e muita injeção (pois estava anêmica), ele resolveu que iríamos fazer a histerectomia. Resumindo: tirar meus miúdos como diria um gerente que tive. Cuja esposa tinha o mesmo problema.
Enfim depois de algumas protelações, marcamos a data. Só que ele iria me operar numa terça-feira, dia 8 de dezembro de 1998. Perguntou se estava bom para mim. Disse apressada: "O senhor está maluco? Eu vou ter que trabalhar dia 7, quinto dia útil, mês de dezembro, pior mês no banco, nessa ansiedade em que me encontro?"
Coitado, ele anotou no meu atestado que eu iria me internar de véspera. Só para essa desinfeliz bancária ter um pouco de paz de espírito no dia anterior de uma cirurgia. Será que exagerei? Acho que não... Ferrei de verde e amarelo um gerente que era uma peste... E ainda fiquei dois meses de licença-saúde!
Hoje também tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Você já foi a um batizado de boneca? Não? Confira!
escrito por Jack, em
6:16 AM
Aceito críticas:
:.:.: Já que veio, diga algo!
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