Leda/Female/46-50. Lives in Brazil/Santos (SP)/Boqueirão, speaks Portuguese and English.
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Aventuras e desventuras de uma recém aposentada, enquanto trabalhadora de uma ilustre instituição financeira, por quase 27 anos de sua vida !!!





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Quarta-feira, Março 31, 2004

O Carimbo




Claro que não posso nem devo citar nomes. Só que essa estória, a comunidade da empresa para qual trabalhei, certamente vai lembrar, inclusive tudo a respeito da pessoa que fazia isso... Não com muita frequência, mas quando alguém pedia, ela fazia.

Há muitos anos para o banco, o que valia era a autenticação mecânica. Carimbos, 'tanquinhos', formalmente não tinham o menor valor. Mas, como já disse, agência com um número muito grande de idosos, além de virem cuidar de suas coisas, desprovidos de óculos, eles queriam enxergar em casa, muito além de uma simples e simplória autenticação mecânica... Sabe como é, uma garantia a mais, entende?

Essa colega, quando pedida para colocar só um carimbinho, sem pressa, molhava sua carimbeira e, colocava um lindo e gracioso carimbo do Mickey Mouse... Era carimbo, não era? Tudo pra satisfazer o cliente...


       


E Hoje tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Passe por lá e conte pra mim se você teve alguma coleção na sua vida ...



Postado por Jack, em 3/31/2004 12:05:39 AM

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Segunda-feira, Março 29, 2004

Desconfiados




Talvez uma das palavras das quais mais tenho feito uso aqui nesse blog: diferença. Uma vez, atendendo uma senhora de uma certa idade, pagou suas contas e sacou um dinheirinho. Dali uma hora ou isso, voltou com seu filho, dizendo-me que eu havia dado quantia a menor à ela. O procedimento prevê que, quando reclamado sobre falta de dinheiro, o caixa tem que contar tudo o que tem na gaveta. Para ver se está sobrando, faltando, enfim, se matematicamente a gente está batido ...

Meu caixa estava redondinho, e ela insistindo que eu havia dado a menor ... O filho (na minha opinião) veio com ela, por achar que eu poderia enrolá-la... E a presença dele, de uma certa forma, me pressionaria para que eu lhe devolvesse... Ninguém confia nos caixas ... Isto é um fato!

Tinha certeza de que eu havia dado a soma correta. Comecei a conversar. Perguntei se ela havia ido a algum outro lugar, comprado algo, colocado o dinheiro em outra bolsa. Enfim, ela começou a revirar sua carteira, e acabou encontrando duas notas bem dobradinhas: a tal diferença ...

O triste da situação é que, a maioria das pessoas pensa sempre que a gente tenta 'roubá-los'. Mas isso faz parte... Ou melhor, para mim fazia... Estou livre agora! Livre dos desconfiados ...


      

Postado por Jack, em 3/29/2004 09:39:06 AM

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Sexta-feira, Março 26, 2004

Lekemen




Vá de retro satanás! Deus que possa um dia me perdoar, mas acho que até vocês me perdoariam ... Esse digníssimo senhor saiu do banco, logo após minha posse. Possuía um problema coronariano. Então ele se tornou um aposentado por incapacidade física, o que chamamos de aposentadoria por invalidez. Deus também é testemunha o quanto fiquei com dó, imaginando que talvez não fosse viver muito. É pai de uma grande amiga de minha irmã. Sabíamos por ambos os lados, que provavelmente não lhe restaria muito tempo de vida.

Pois é, pelo que já alinhavei acima, vocês têm idéia de que vaso ruim não quebra? Acreditam agora? Nada contra, mas é que ele se tornou uma pessoa extremamente inconveniente. Agora ele arruma treta com os colegas da ativa. Ele quer, porque quer, ser atendido em guichê, mas se esquece que em tantos anos, o banco mudou! Todos mudaram. Atendimento dentro das agências é quase inexistente. Até com Jackão armou um barraco há uns anos atrás. Gritou com ele. Ameaças de que vai levar o dinheiro embora, coisas que a gente vê muito em pessoas descontentes e/ou estressadas. Mas em colega? Ele parou no tempo e parece não querer aceitar a evolução das coisas.

Outro dia o encontrei na feira. Sabe aquela pessoa, que você faz tudo pra que não te veja? Mas ele veio mexer com a dona da barraca que eu estava. Não tive saída. Coitada, ela não merecia. Veio contar pro marido dela, que ele tinha visto a pobre fazer uma barbeiragem na rua. Ele quer brincar, mas ao mesmo tempo ofende. Ele quer se mostrar tão moderninho e "prá frente" e só consegue ser chato. Perdeu a mão. Ainda tirou sarro da minha cara, que agora vai vestir uma saia, pois logo estará fazendo 25 anos de aposentadoria. E quer comemorar aposentadoria como se estivesse aposentando de novo: mas agora como "mulher"! Eu olhei pra moça da barraca, rindo. Mas ela, já conhecendo a peça, baixou a cabeça.Entendeu que certamente jogamos cocô de gato na cruz.


      


SOS

Music: Tolkki
Lyrics: Tolkki/Kotipelto

I'm waiting for the rain now
To settle the dusty air
Clearing up my emotions
Facing it all if I dare

I've been thinking
I've been trying
But I've always been denying
Wasted days are still inside of me
It's time to set them free

Why don't we see what is going on?
There are not so many years to be wasted
Until the damage is done and the beauty is gone
Save our souls
What is the price that we pay?
Save our souls
Do we have nothing to say?


Postado por Jack, em 3/26/2004 06:24:54 AM

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Quarta-feira, Março 24, 2004

O trailer do Super Centro




Esse trailer era diferente do meu (já estou até o tratando como tal ...). Mas ficava dentro de um centro de compras, aqui em Santos. Dizem até que foi o primeiro da América Latina, o precursor dos shoppings, como ainda hoje em dia é conhecido. Quem trabalhou lá foi minha amiga-irmã de longa data, um ano ou dois antes do meu "incidente". Vamos à estória, pois a dela foi pior que a minha, acreditem ...

Minha amiga dizia que o trailer dela parecia uma carrocinha de cachorro quente. Na verdade o era, pois era bem parecido com essa ilustração. Ela gostava de lá e até pediu para ficar todo o tempo do tal verão-inferno. Realmente o ambiente era bom, pois os lojistas a mimavam, digamos. Mas ela merecia, é realmente uma pessoa extremamente especial. Não há pessoa nesse mundinho de meu Deus que não goste dela. E além de tudo isso, por fora, é uma mulher muito bonita, linda mesmo, de chamar a atenção. Marmanjos babam, literalmente.

E aí um cliente e lojista de lá, resolveu fazer uma maldita aposta. Apostou com outros sacanas que passaria a mão nela. Isso mesmo: literalmente. Aquele velho babão arrumou um jeito, pediu pra ela entrar pra ver algo lá dentro do trailer, e ... Testemunhas, segundo ela, não faltaram, mas minha amiga não se abalou. Manteve a linha, não gritou, não xingou, não esperneou. Não fez absolutamente nada! Aliás, após o ocorrido, ela foi tirar satisfação com ele. Diretamente, francamente. Olho no olho. Sem escândalo, sem pressa.

Eu realmente admirei sua atitude. Eu não conseguiria ter tido tanta classe. Mas cada um é cada um. Ela jamais pediu pra sair de lá. A única que corre algum risco agora, sou eu. Risco de vida ... Se ela souber que contei esse caso. Vai me matar!


      



Hoje tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Dê uma passadinha lá. É um post sobre baile de formatura ...



Postado por Jack, em 3/24/2004 12:10:00 AM

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Segunda-feira, Março 22, 2004

Praça da Pederastia




Realmente, o que consigo lembrar enquanto faço minhas caminhadas, é de assustar! Em frente ao local onde trabalhei no "trailer" do post anterior, tem uma espécie de pracinha. Uma fonte luminosa, alguns banquinhos, muito agradável o local. Minha cidade é conhecida por ter os jardins de praia mais lindos do mundo.
Mas essa estória é de lascar. A vigilância do trailler acontecia diuturnamente. Às vezes o vigilante Mauredson "dobrava" em serviço. No horário que eu chegava, não era necessariamente o horário dele. Normalmente ele já estava lá desde manhã cedinho.

Até que um dia, ele arriscou me perguntar se eu já tinha visto "as meninas" que sentavam na pracinha:
- As velhinhas? - perguntei ...
- Não dona Jack, as meninas...
- Seja claro Mauredson, que meninas? Que praça?
- Essa mesmo, essa aqui em frente ao trailler. Essa praça gay ...
- Praça gay ??? Como assim? Seja mais claro, por favor.
- Vai dizer que a senhora não percebeu as moças que ficam jogando charme pros marmanjos aí na frente?
- Mauredson, pode não parecer, mas estou aqui pra trabalhar... Lógico que não percebi nada. O que houve?
- Ah dona Jack, nem te conto ... Até o moço da noite já foi "atacado" ...

Aí, nessa tarde, rimos muito da situação. Ele literalmente me apontou todas as garotas que freqüentavam o pedaço. Senhores aparentemente normais, aparentemente discretos, "batiam" o ponto ali. A fim de conquistas "amorosas". Vai entender ...


     


Forever

Music & lyrics: Tolkki
--------------------------------------------------------------------------------
I stand alone in the darkness
The winter of my life came so fast
Memories go back to my childhood
To days I still recall

Oh how happy I was then
There was no sorrow, there was no pain
Walking through the green fields
Sunshine in my eyes

I'm still there everywhere
I'm the dust in the wind
I'm the star in the northern sky
I never stayed anywhere
I'm the wind in the trees
Would you wait for me forever?


Postado por Jack, em 3/22/2004 06:52:33 AM

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Sexta-feira, Março 19, 2004

Trailer




Há dez anos atrás, fui "convidada" a trabalhar num trailler. Verdade! Na verdade era uma espécie de "container" no calçadão da praia. O banco chamava de verão-ouro (só se fosse o deles!). O meus 20 dias de castigo lá foram horríveis ... Imaginem: trabalhar num local de estrutura metálica e, onde às vezes, o ar condicionado pifava. Melhor: mesmo funcionando, o dito cujo não dava conta ... Exposto ao sol, enquanto este estivesse no céu ... O calor era de doer.

Aquilo mais parecia um verão-do-Senegal, verão-cadeia, verão-sauna, verão-tortura, verão-tudo, menos verão-ouro. E eu rezava pra chover, pra ficar menos quente e não aparecer cliente algum. E o vigilante também me ajudava nas preces, coitado do Mauredson! Suava em bicas. E olha que eu moro perto, e levava um isopor com água e refrigerantes, pois nem geladeira nós tínhamos. Aliás, nem banheiro, usávamos o banheiro do posto 5.

Resolvi deixar quieto, sem muitas reclamações (eu tinha fama de reclamona), pois em janeiro (minhas férias) ia viajar com marido e filhos. Tinha conseguido um mês nobre! Engoli, literalmente a vingança de meu gerente.

Um dia, este querendo economizar, ligou dizendo que o carro coletor não passaria. Mandou que eu levasse para a agência, o malote com o dinheiro também, pois os documentos eu já levava todo santo dia. Naquele final de expediente, surtei! Era perto, mas eu não estava sendo paga pra correr mais esse risco. Ainda mais contra as instruções, é claro! Se ele vier a ler esse blog, talvez nem se lembre ... (capeta, infeliz, coisa ruim, cramulhãozinho...).

Mauredson disse que me acompanharia à distância. Eu não queria, não queria de jeito nenhum. Mas ele se trocou no posto, e, à paisana, me acompanhou de longe. Ao entrar no banco, o gerente ainda tentou falar alguma gracinha ... Aí soltei à queima-roupa: "Amanhã você pode mandar outra pessoa fazer o que fiz. Porque sei que eu não tenho obrigação alguma e que essa não é a minha parte. Se acontecesse alguma coisa comigo, Jackão te processava, tá?"


     

Postado por Jack, em 3/19/2004 12:04:31 AM

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Quarta-feira, Março 17, 2004

11 de setembro de 2001




Depois do atentado na Espanha no último dia 11 de março, lembrei do que ocorreu aqui em casa no famoso 911. Estava meu filho nos Estados Unidos, para estágio conclusivo de sua graduação em veterinária. Havia embarcado em 13 de julho e voltaria somente em 29 de outubro.

Naquele dia 11, fui bem cedo pra rua: supermercado. Quando retornei, comecei a guardar as compras, mas não me senti muito bem. Tínhamos tido um dia anterior (dia 10) estafante no banco. Senti algo estranho, tomei um remedinho para o fígado e recostei um pouco. Aí pensei com meus botões: tanta hora extra que não poderá ser paga ... Por que não ficar aqui quietinha, até melhorar? Liguei pro meu chefe e perguntei se tinha muita gente no banco (nessa época eu entrava mais tarde). Ele disse que não muito, e aí expliquei que eu não estava muito legal, se podia usar meu banco de horas. Ele concordou. Liguei o micro, mandei um e-mail pro filhote e liguei a TV.

Logo percebi um filme estranho passando àquela hora, imaginei. Comecei a zipar os canais, sempre a mesma coisa. Resolvi prestar atenção no áudio, passei pra CNN e vi que não era um filme de ficção, aquilo estava realmente acontecendo em tempo real. Só que estranhamente não era um filme. Chocante, angustiante, quase impossível, mas estava ali, diante de meus olhos. Liguei pro chefe e contei pra ele que estava acontecendo um incêndio maluco no WTC. O interessante é que ele me falou seriamente: Estranho, seria atentado? Eu disse que achava que não, mas ia mantê-lo informado.

Liguei pro Jackão, ele pirou. Mas aqui normalmente sou eu quem surta mais sério, ele manteve a calma. Mandei outro e-mail pro meu filho. Que ele me mandasse notícias assim que pudesse, pois eu estava conectada e ansiosa aguardando. Nunca tão poucas horas custaram tanto a passar. Quando a resposta finalmente chegou, eu pude respirar um pouco. Jackinho ainda brincou comigo, que ele estava quase no fim do mundo. Que os americanos da clínica estavam todos com uma cara de dar dó. Ele estava no segundo mês do estágio, em Waynesboro (Virgínia) e somente na semana seguinte estaria indo pra Washington DC, pois iria participar de um congresso em Orlando.

Mas meu receio era o tal avião ainda não localizado. Sabe, mãe é mãe ... Em qualquer espécie, em qualquer ocasião ... Até hoje não tenho explicação para o que houve. Estou certa de que, se eu tivesse ido trabalhar, teria que ter voltado pra casa, tamanha angústia que tomou conta de mim.

     


Hoje tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Dê uma passadinha lá ...



Postado por Jack, em 3/17/2004 12:09:28 AM

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Segunda-feira, Março 15, 2004

Santa Inês (MA)




Quase fui morar lá, um dia! Sim, verdade. Hoje deve estar uma cidade melhorzinha, mas há 25 anos atrás, interior do Maranhão, vocês conseguem imaginar? Os porquinhos literalmente chafurdavam na lama, mas só quando chovia. Era muito quente. As casas nem forro tinham. Acabei não indo, deixa contar o que houve ...

Marido fez o último concurso interno "fácil" do banco. Teste psicológico e tal, o resultado saiu no dia do nosso casamento. Ninguém teve coragem de nos contar, mas ele não passou. Vamos em frente, que atrás vem gente ...

Concurso remodelado, conhecimentos específicos. Esse até eu fiz, pois já estava no mesmo banco. Eu não passei, ele sim ... Só que assim como haviam mudado as regras para aprovação, assim também para assumir o novo posto: teriam que preencher muitas vagas existentes, mas em todo território nacional. Local designado pra ele: Santa Inês ... Lá pertinho de Nova Iorque, conhecem? Sim, tem uma lá no Maranhão, confiram ...

Estava grávida do meu filho mais velho. O banco deixou com que ele assumisse lá somente no primeiro dia útil de dezembro de 1979. Eu ficaria para ir depois. Jackinho estava com um mês. Jackão foi sozinho e logo concluiu que nós não iríamos. Sem condições. Depois de um mês ele retornou, arrumou atestado médico, ficou por três meses cuidando do menino pra eu trabalhar. A licença maternidade havia terminado. Aí a moleza acabou e ele teve que ir, mas agora, o banco já havia percebido a bobagem que tinha feito. Aprovados do sul no norte e os do norte no sul.

Quando ele voltou pra lá, tinha certeza que o banco ia logo desfazer as transferências e que logo ele estaria de volta. Passaram-se mais de três meses. Ele queria retornar somente com a certeza de que voltaria. Voltou para Cubatão, onde trabalhou por mais de dez anos. Naquela época, o Fantástico mostrava reportagens de lá sobre poluição, crianças que nasciam sem cérebro. Loucura total. Perguntavam pra ele: Mas é pra lá que você vai? Você tem certeza?
Sim, ele tinha. Voltar pra gente!

     

Postado por Jack, em 3/15/2004 06:29:59 AM

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Sexta-feira, Março 12, 2004

Camelança III - o retorno




Desculpem, mas enquanto estou caminhando, vêem muitas idéias de posts à minha cabeça. Incrível, não é mesmo? Mas é verdade! Às vezes tenho vontade de levar um gravador para não esquecer nada, mas não dá. Vejo de tudo que vocês possam imaginar, gente: é muito engraçado! Vou tentar contar o que me faz rir, pelo menos.

Temos:
Gente que fala sozinha (até que são poucos),
Senhorinhas que vão aos pares, com roupinhas "temáticas", que lembram o mar, peixinhos, conchinhas, âncoras, navios, barquinhos e assemelhados, com chapeuzinhos combinando (lógico, por que não?),
Velhinhos idiotas que parecem que só estão ali pra olhar as buzanfas...(a forma física e o bronzeado os denunciam...),
Gente que caminha, enquanto dança com as mãos (já a vi duas vezes, juro!),
Mulherada de fio dental, cheia de celulite e se achando o ó do borogodó (existe coisa mais feia?),
Muita gente gorda (hehe, onde me incluo ...),
Dias atrás vi um velhinho, com água pela cintura, caminhando de costas, fazendo sinal como se estivesse ajudando alguém estacionar um carro (olhei, juro, nem um barquinho sequer),
Colírios? Somente um moço bonito, mas só o vi um dia, e passou por mim e eu só olhei, babando... Confesso: tentei acelerar o passo, mas ... (aguardando o retorno de Jedi, é claro!),
Gente que já saiu do armário, gente que um dia ainda vai sair, e gente bastante enrustida ... (como a gente consegue perceber, não?),
Gente chata (muito chata), que são clientes do banco, mas que finjo que o diabetes já afetou minha visão (Nossa! Que horror! Que Deus me perdoe e Santa Luzia também).

Aí imagino: e se alguém tem um blog? Como me descreveria? Às vezes eu queria ser uma mosca ou um mosquito da dengue (tá bom!), e me observar ... Devo ser uma figura muito engraçada também ... Discman na orelha (rock n' roll no talo), boné, óculos escuros ... Acho (quase certeza) que eu ando ao ritmo da música, só consigo passadas mais rápidas se o som ajudar ... E pra queimar o açúcar, haja Beatles e Stratovarius ... (hahaha!). Será que sou ridícula?


     

Postado por Jack, em 3/12/2004 06:32:35 AM

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Quarta-feira, Março 10, 2004

Camelança II - a missão




Desde que me vi obrigada a caminhar, passei por alguns estágios interessantes. Quando o remédio para controlar a glicemia, não baixou o suficiente meu nível de açúcar no sangue, fui convencida a caminhar. Constatei que milagre não existe, e sim força de vontade. Não que milagre não exista: eu que não sou milagreira ... Estando eu tão desabituada e gorda, tinha dificuldade em ir na esquina! A única coisa que ainda fazia, era ir à feira.

Entendendo a situação, minha nutricionista (essa é fera!) aconselhou que eu começasse aos poucos, sem afobações. Lógico que não iria correr a maratona de New York (bem que eu queria!). Nos primeiros dias eu fazia uma volta em torno dos dois quarteirões perto de casa. Na verdade fazia um oito entre as duas quadras.

Fui aumentando devagar, na segunda semana, tomei uma importante decisão: fui caminhar no calçadão, pois segundo meu marido, estava recém reformado e seria excelente pra mim. Ledo engano! Calçado incorreto, calçamento de pedrinhas multifacetadas, doeu o meu pezinho ...

Decisão seguinte: caminhar na areia da praia! Excelente, onde estou até agora, cada dia indo mais longe e cada vez mais rápido... Me aguarde Barrichello!!! Estou ficando até moreninha ... E o melhor da estória: me sentindo viva, feliz e cada vez mais disposta.


Postado por Jack, em 3/10/2004 02:01:37 PM

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Segunda-feira, Março 08, 2004

Deletando a diabetes




Pois é! Aconteceu ... Talvez, e bem provavelmente, não soube lidar com minha total liberdade pós-aposentadoria. Visita rotineira ao ginecologista: ele me disse para procurar um cardiologista, pois minha pressão arterial estava alterada.

Visita ao cardiologista: requisição de uma longa lista de exames, que constataram, para mim, uma assustadora realidade: estou diabética! Marquei nutricionista e endocrinologista. Iniciei a dieta ministrada em final de janeiro. E caminhadas, pois engordei muito depois que parei de trabalhar. Minha tireóide também estava com medicação inadequada (tenho hipotireoidismo). Ajustes. Após 15 dias, repeti o exame de sangue: minha glicemia já havia baixado bastante e agora voltarei ao endo daqui mais ou menos 20 dias, 5 dias antes, repetirei o ritual.

Acho que estou indo bem. Tenho "camelado" muito e eliminei quase 7 kg (desde dezembro). Apesar do sufoco e do susto, tomei consciência de que estava fazendo tudo errado. Aposentar não é sinônimo de morrer ou parar de viver. E odeio caminhar, acreditam? Odeio, mas necessito disso para uma melhor qualidade de vida. Preciso "queimar" o que está sobrando por aqui, e olha que não é pouco, não! E blogar agora, só depois das minhas novas obrigações cumpridas ...

Sinto ter desabafado aqui, mas eu estava precisando exorcizar um pouco, desculpem ...


      


Meninas, hoje é nosso dia, felicidades, muitas felicidades prá nós todas !!!




Postado por Jack, em 3/8/2004 06:12:05 AM

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Sexta-feira, Março 05, 2004

O torto




Eu lhes tinha o maior carinho. Uma gracinha de casal idoso. Sempre sorridentes e amáveis, não mediam esforços para serem gentis. Ela mais conservada, sempre cooperava com ele, já de bengalinha. Dividiam residência entre Santos e São Paulo. Aposentados e viviam muito bem de vida. Eram de um desses ministérios federais que na época pagavam muitíssimo bem.

Um belo dia, ela dirigiu-se ao meu guichê e pagou contas, com um só cheque. Naquele tempo ainda nem o serviço on-line existia. O cheque foi para a compensação, pois a conta deles era em Sampa. Dois dias após, o cheque voltou, pois eu não havia percebido um erro no preenchimento. Tive que ir ao apartamento deles aqui em Santos, para trocar o cheque.

Quem conhece, sabe que temos na nossa orla, alguns prédios que, por causa do solo, estão ficando tortos. Um deles, atualmente, está passando por uma imensa reforma na tentativa de "endireitar" o dito. Esse, onde eles moravam, tem até uma chopperia na parte inferior que se chama: O torto! Pois assim é o prédio: totalmente inclinado pra direita, de quem olha da praia.

E assim fui. Peguei o elevador e já ao entrar no hall do apartamento, tive uma estranha sensação. Como já havia telefonado, ela já me esperava com o cheque pronto. Mas, o Sr. Raimundo queria me ver, e estava acamado. Ela pediu pra que eu entrasse somente para cumprimenta-lo. Essa que vos escreve teve a impressão exata do que é estar num local condenado, ou quase ... Eu tive a idéia de que, pelo corredor comprido ao qual me dirigi, eu iria raspar o braço, bater a cabeça, cair para o lado, tropeçar, cair de cabeça ou de boca, enfim... O apartamento todo pendia para o meu lado esquerdo. Eu nunca quis sair tão rápido de um lugar. Naquele dia eu tive a impressão de que, se eu tivesse esquecido de pegar o cheque, seria totalmente normal. Tal a vontade de me livrar daquele mal estar ...

       

Postado por Jack, em 3/5/2004 06:36:57 AM

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Quarta-feira, Março 03, 2004

Hierarquia





Hoje quero contar pra vocês como funciona uma hierarquia de qualquer empresa pública e/ou privada no nosso país, talvez quem sabe, no mundo todo...

Eu, por motivos operacionais ou pessoais, na verdade nunca saí do posto que aqui chamarei de básico ... Mas não me arrependi nunca, graças a Deus, e talvez ao meu bom discernimento das coisas da vida. Primeiro eram filhos pequenos. Depois, mais tarde, filhos adultos... Cada fase com seus problemas, e, mesmo incentivada pelo marido, nunca tive vontade de subir na empresa... Juro por Deus! Sério mesmo ...

Gostava do que fazia, no início nem tanto. Mas pra mim estava de bom tamanho. E principalmente trabalhando meio período, nunca estive à parte de outros interesses. Não posso dizer que passava o dia inteirinho enfurnada no serviço... Consegui me divertir um pouco também ...

Sempre digo, isso são escolhas que a gente tem que fazer na vida. Para mim o mais importante era ter a consciência tranqüila. E na época, fazia parte dessa tranqüilidade: dar suquinho, dar banho, sair pra passear com meus filhos, dar o almoço e só depois ir para o banco. Questão de prioridades, ou talvez até uma espécie de hierarquia também. Hierarquia de prioridades ... quem sabe ...

     

Hoje tem post novo da Jurassic Jack no Playground dos Dinossauros. Dê uma passadinha por lá, e leia um texto sobre "Chacrinha": Terezinhaaaaa ...


Postado por Jack, em 3/3/2004 06:31:29 AM

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Segunda-feira, Março 01, 2004

Alcunha: Morcego ...




Naquela agência havia três Cláudios: Claudinho, Cláudio Espanhol e Cláudio Morcego. Para diferenciá-los a gente os chamava dessa maneira. Os dois primeiros já estão aposentados. Morcego, ainda na ativa, agora é substituto de superintendente.

Esse último, trabalhou com meu marido no setor do banco onde ambos tomaram posse (setor esse chamado Perfuração, olha como somos antigos...) Por isso fiquei pasma ao saber que ele agora substitui o super ... Esse apelido foi originado pela sua postura, assim não tão apreciada pelos colegas, de adorar um "dolce far niente" ... As pessoas trabalhavam nesse setor, naqueles primórdios, em tentativas iniciantes e "engatinhantes" de informatização. Lá chegava de tudo, simplesmente tudo para gravar para o computador central. Era um serviço insano de uma agência todinha que passava pelos atentos olhos e hábeis dedos dos digitadores, para que não houvesse enganos.

O lote chegava, de tempos em tempos. Cada funcionário levantava para pegar a sua parte. Mas, como quem não queria nada, ele esperava um pouco, e aguardava para ser o último ... E normalmente ficava com pouco ... Pelo jeito, suas preces eram atendidas! Aí ele ficava "morcegando" até a chegada do próximo lote. Só que quando a turma começou a perceber a esperteza, lógico que tentaram sacaneá-lo. Mas como morcego é sempre morcego, ele sempre arrumava um jeitinho ... brasileiro, claro!


     

Postado por Jack, em 3/1/2004 06:11:43 AM

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